terça-feira, 12 de julho de 2011

Panda Bear - Person Pitch (2007) / Tomboy (2011)

Aqui estou sem codinome para o primeiro post como membro do clube. Serei responsável (na maioria das vezes) pelas postagens de lps mais ou menos contemporâneos, mostrando assim que o lp não é uma mídia datada mas sim eficiente e em voga. Alguns não sabem mas maioria das bandas do mundo ainda lançam seus álbuns em vinil, incluindo as do mainstream, como U2 e Coldplay. Aqui pelo Brasil, artistas como Pitty e Los Hermanos também chegam no mercado através do lp, e muitos outros que não cito por ignorância mesmo. A mídia hoje é bem alternativa e é destinada a um público diferenciado, os que nutrem a opiniões técnicas sobre o som do lp, seu caráter analógico, ou apenas porque as capas e encartes são maiores (como eu). Se a amplitude das ondas e a quantidade de frequências do lp é maior em relação ao cd, isso ainda é um mistério pra mim. Intuitivamente, sinto que soa melhor.

Nesse primeiro post, o terceiro e quarto álbuns solo de Panda Bear, nome de carreira de Noah Lennox, integrante do Animal Collective. Person Pitch, de 2007, foi aclamado por uma parcela da crítica e do público que trata da música alternativa, sendo álbum do ano pela Pitchfork Media e, pelo mesmo site, nono álbum da década. Avey Tare, integrante do Animal Collective, confessou que o disco influenciou o álbum da banda de 2009, Merriweather Post Pavilion, também aclamado pelo Pitchfork e por outros sites especializados. Ou seja, um sucesso duplo para Panda Bear. O disco desenvolve o som que o compositor tinha iniciado em canções do Animal Collective, algo mais otimista depois da fase vocal-lamuriosa que iniciou após a morte do pai. O interessante é que com Person Pitch, Panda Bear parece ter ganho espaço na sua própria banda, já que antes de 2007 os álbuns continham em sua grande maioria, canções de Avey Tare, no disco seguinte da banda, Strawberry Jam, ele tem sua marca em três canções, das melhores, e em Merriweather Post Pavilion, quatro, tendo duas delas virado singles e favoritas em apresentações ao vivo. A acessibilidade de sua música, escondida atrás de ruídos e efeitos, contribui para isso, a carga nostálgica também. O álbum sampleia Scott Walker, Tornados, Cat Stevens, The Equals, Kraftwerk entre outras bandas, mas é difícil reconhecer os samples, estão escondidos e modificados e misturados. Sem dúvida é um ótimo exemplo da nova psicodelia, a repetição e a simplicidade se tornam pura extravagância aqui e a ingenuidade dos arranjos é tratada de uma maneira quase minimalista. Dizer que isso é música eletrônica é exagero, dizer que isso é rock é ser simplista. É fruto da história da música embaralhada e batida no liquidificador, como é notado nas referências do encarte. De brasileiros temos Caetano Veloso e Tom Jobim, nomes disparatados como Jay-Z e Kylie Minogue, e clássicos absolutos como Beach Boys, Beatles, Kinks. Clássicos absolutos da eletrônica Basic Channel, Aphex Twin e Daft Punk estão na lista. E até uma deusa da ópera Maria Callas é citada. Black Flag, Basement Jaxx, Can e Roy Orbison também aparecem, para misturar mais ainda o bolo de influências. E é justamente isso que é Person Pitch, um bolo de aniversário infantil. A linda arte do álbum é de Agnes Montgomery, uma artista da Filadélfia que trabalha exclusivamente com colagem, ela realiza suas obras com cola e tesoura (!!) e depois as escaneia, seu trabalho foi o principal responsável da minha total satisfação na compra desse lp.

Panda Bear - Person Pitch
2007
Paw Tracks

Lado A - Comfy in Nautica/Take Pills
Lado B - Bros
Lado C - Good Girls/Carrots
Lado D - I'm Not/Search for Delicious/Ponytail

Produção: Panda Bear/Rusty Santos
Arte: Agnes Montgomery

Tomboy, de 2011, causou menos estouro, mas ainda sim um ótimo trabalho de Panda Bear, desenvolvendo outros temas, mais sérios e maduros. A instrumentação é concisa e consciente, muito embora o conteúdo das músicas seja livre e fluido, à propósito, a forma aqui é bem mais tradicional, sendo possível reconhecer versos e refrões. Duas marcas de Panda Bear ainda são encontradas aqui, seus vocais harmonizados em várias camadas, e seu tratamento de samples, basicamente ruídos e chiados, para álguns artistas, meros efeitos sonoros, para Lennox, parte da música e elemento compositivo. Surfers Hymn se tornaria um vazio de um sample percussivo e uma bateria se não fossem as ambientações usadas. Os Beach Boys estão aqui, na música citada, em Alsatian Darn e, principalmente, em Last Night at the
Jetty. À medida que o som desse músico vai amadurecendo, vai se tornando mais pop, mas ao mesmo tempo, também mais temperado, mais mastigado, como se ele estivesse ficando realmente acostumado a fazer isso, e a fazer isso naturalmente. E se é possível prever que ele nunca vá soar como os Strokes, ou Arctic Monkeys, não posso duvidar que aconteça o contrário.


Panda Bear - Tomboy
2011
Paw Tracks

Lado A - You Can Count on Me/Tomboy/Slow Motion/Surfer's Hymn/Last Night at the Jetty/Drone
Lado B - Alsatian Darn/Scheherezade/Friendship Bracelet/Afterburner/Benfica

Produção: Peter Kember, aka Sonic Boom (Spacemen 3)
Arte: Scott Mou (antigo companheiro, no duo eletrônico-experimental Jane)


terça-feira, 5 de julho de 2011

Stevie Wonder - Innervisions

Antes de começarmos, um pedido de desculpas pelas fotos horríveis. Fui obrigado a usar somente um celular para este post.
Agora sim, allons-y!

Stevie Wonder é um dos maiores gênios da música, como instrumentista, cantor e compositor. Durante os 70's lançou uma série de obras-primas que influenciam até hoje a música pop, e uma dessas obras é o sensacional "Innervisions".


Stevie despontou para a música desde criança, como uma revelação e promessa da gigante da black music americana Motown ainda nos 60's. Sua genialidade despertou cedo e logo se pôs a compor para outros artistas do cast da Motown. O sucesso veio pra valer a partir dos anos 70, com Stevie, ainda que jovem, se apresentando como músico maduro, consciente e revolucionário.


Em minha opinião, "Innervisions" é o auge da carreira de Stevie Wonder. Por mais que hajam discos fantásticos como Talking Book e Songs in the Key of Life, é em "Innervisions" que as diversas facetas de  Stevie Wonder estão melhor apresentadas e melhor distribuídas: lirismo, engajamento político, religiosidade, experimentalismo, funk, rock... está tudo ali, quase como se estivéssemos olhando o interior do Stevie...


O LP deste post é a primeira edição do álbum, de agosto de 1973, lançado pela subsidiária da Motown, Tamla. No Brasil, foi distribuído em 1973 pela Tapecar, numa edição sofrível com capa simples e arte mutilada - como era tradicional, aliás, nos lançamentos brasileiros. Há ainda uma reedição contemporânea da Tamla/Motown em vinil colorido e 180 gramas. Álbum de sucesso, certamente houveram mais reedições entre 1973 e hoje em dia, mas as citadas aqui são as mais fáceis de encontrar. 

propaganda no envelope do LP. Eu quero esse songbook!

selo da edição amercana de 73
edição brasleira... ô selo feio!

Stevie Wonder - Innervision
1973
Tamla - Motown

Lado A

1 - Too High
2 - Visions
3 - Living for the City
4 - Golden Lady

Lado B

1 - Higher Ground
2 - Jesus Children of America
3 - All in Love Is Fair
4 - Don't you Worry 'bout a Thing
5 - He's Misstra Know-It-Al

Produção: Stevie Wonder
Capa: Efram Wolff

Amostra grátis:


Até a próxima!